Todas as noites, o tic-tac do relógio desperta-me às três e trinta da madrugada. O despertador continua programado para as seis e trinta, hora que eu acordo para a via cruscis diária.
Mesmo assim, noite após noite, cismo em acordar no mesmo horário. Minha cabeça começa a latejar, ouço o tic-tac do relógio e sei que tenho de acordar. Penso que ainda é madrugada, levanto-me, tomo um comprimido de Advil, e volto para cama, onde esperarei eternas três horas até o despertador tocar.
E assim já se passaram longos dez anos, desde a partida da minha mãe. Mulher forte, de temperamento firme, um olhar misterioso. Sei que ela guardava um segredo. E isso me intriga até hoje. Inconscientemente, pode ser o que me acorda todas as noites. De certa forma, o silêncio da noite, o silêncio de uma casa de madrugada, propicia pensamentos obscuros.
sexta-feira, 5 de março de 2010
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